Era dezembro e as expectativas apenas aumentavam. O curso
começaria no mês seguinte, e segundo o edital, era necessário comprar uma lista
de coisas para que o aluno pudesse passar um período inicial de três semanas de
internato, era o que carinhosamente era chamado de “enxoval do aluno”. Fui
comprando tudo aos poucos, meia, camisa e uma série de coisas à medida que o
tempo foi passando, e resolvi deixar as malas por último. Esse dia foi diferente,
minha mãe até então não havia se dado conta que de fato eu iria sair de casa,
até que eu cheguei com as malas e ela começou a chorar. Fiquei triste por ela,
mas era uma nova etapa na minha vida e estava cheio de esperanças sobre como
seria meu tempo lá.
Como tudo sobre o que criamos expectativas demais acaba
deixando a desejar, essa não podia ser diferente. Eram muitas atividades o
tempo todo, pouquíssimas horas de sono e comida péssima nas primeiras semanas.
Acabei atingindo o menor peso que tive até hoje. Como tinha muita coisa rolando
ao ar livre e era janeiro, acabava torrando no sol o dia inteiro e fiquei bem
moreno. Fiquei tão diferente que meus pais quando foram me buscar da primeira
vez não me reconheceram. Fui caminhando na direção da minha mãe e ela me olhou
rapidamente, desviando o olhar para procurar o filho dela dentre muitos outros
que saíam juntos. Dá para perceber que a situação para você tá feia quando nem
sua mãe reconhece que é você na frente dela...rsrs
O ser humano é um bichinho ruim mesmo, se tem uma coisa que
eu levo dessa história para a vida é que a gente consegue se adaptar, a gente
se acostuma com coisas boas e coisas ruins. Tudo vira normalidade. Esse período
foi muito difícil, mas com o passar dos meses, estava lá, de boas, recebendo
minha graninha e estudando, começando a comprar minhas primeiras coisas e
fazendo grandes amizades, que levo até hoje.
Demorou mas chegou o dia, finalmente me formei e me inseri
no mercado de trabalho. E como todo o bom moço de uma família tradicional o que
eu fiz? Resolvi casar. Pois é, eu tinha uma namoradinha desde quando passei no
concurso e aguardava o início das aulas, entre brigas e mais brigas, a gente se
acertou e resolvi tomar uma decisão. Melhor que não tivesse tomado. Compramos
um apartamento longe do local que nascemos, e não tínhamos a mínima experiência
em morar sozinho. Por essa razão, tomamos o caminho mais fácil e pagávamos
faxineira, fazíamos muitos passeios caros, jantávamos fora quase todo o dia.
Hoje vejo como desperdiçávamos dinheiro.
Me inseri no consumismo, com a maior facilidade, até porque ela tinha
toda a estabilidade do mundo sendo funcionária pública. Mesmo que eu perdesse
meu emprego, ela tinha dinheiro de sobra para nos manter enquanto eu não
conseguisse nada. Após um ano e dois meses, fui convencido a comprar um
apartamento maior. O primeiro realmente era bem pequeno mas tinha saído por um
preço excelente. Após dias e dias procurando imóveis, não encontrava nada
realmente interessante até que resolvi que seria a última vez que sairia à
procura de oportunidades e cumpri o que prometi a mim mesmo: Naquele dia eu
achei um apartamento que me agradava em todos os quesitos. Era bem acabado, bem
dividido, numa localização excelente e com o preço descontado em relação ao mercado.
Fiquei com ele e nos mudamos rapidamente. Os consumos aumentavam, o condomínio
era bem caro para a região, mas não nos importávamos, afinal tínhamos uma renda
boa e aumentos de salários que pareciam que nunca terminariam.
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Jogando o dinheiro fora...pura imaturidade. |
Um mês e meio após a compra do apartamento surge um
imprevisto na vida: a separação. Foi um período muito difícil, mas hoje
agradeço por ter ocorrido naquela época. O pouco que tínhamos foi motivo de
brigas e mais brigas judiciais, e acabei fazendo um acordo cedendo parte do que
eu tinha para a dita cuja. Imagino como fica um homem que se separa depois de
já ter conquistado muito, tendo idade mais avançada. Você já está com o emocional destruído e ainda
vem a $%#@ para querer tirar seu dinheiro, o pior é que a justiça ainda é
complacente com essas coisas. É colegas, na vida tem muitas formas para te
fazer apanhar, agora para te ensinar a bater, essas são poucas... Fico pensando
aqui, até a forma convencional de casamento já acho que começa por desfavorecer
os mais descuidados. Acredito que o correto e padronizado deveria ser separação
total de bens. Cada um fica com o que é seu e ponto final, em vez de deixar o
juiz determinar quem fica com o quê. Ele não sabe o quanto do dinheiro você
abdicava para agregar ao casal e nem se a outra parte fazia o mesmo ou gastava com
pura besteira. Ok Vida, lição anotada e aprendida. Próxima!
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Next! |
No próximo post da série pretendo contar como foi o período pós-separação, minha iniciação no mundo dos investimentos e como venho me desenvolvendo pessoalmente.
Abraços do Pirata!
Historia bruta!!!! E voce pensa em se casar denovo ou no maximo namorar e cada um na sua casa? Essa sua ex sempre foi consumista em excesso? Por que terminaram?
ResponderExcluirEntão Victor, talvez eu conte mais detalhes aqui no futuro mas em resumo, após uma discussão ela veio com esse papo de separação e eu também quis botar para frente depois disso. Mas olhando para trás foi o melhor que aconteceu. Não era uma pessoa que somava, mas essas coisas a gente só vê depois de separar. Anota essa aí meu camarada: Hoje eu namoro de novo e, conversando com essa namorada,vela concordou em fazer uma declaração de união estável com separação total de bens. O que é meu é meu e o que é dela é dela. ;)
ResponderExcluirIsso ae.....fez certinho..mulher tem que ser companheira senao é fim.....Eu estou solteiro ha alguns meses e está dificil achar alguem que preste para algo serio. So tenho alguns rolos, mas nenhuma presta para namoro, pois nao ajudam em nada ..
ResponderExcluirpoxa pirata, baita história de vida...
ResponderExcluirsempre levamos tombo de uma coisa ou de outra... mas o importante é APRENDER e compartilhar... exatamente o q vc fez.
bola pra frente e bons ventos!
grande abraço
PD7
Pois é. O sucesso na vida de uma pessoa também depende da resiliência: A incrível arte de se foder e continuar de pé. kkkk
ExcluirVlw PD7, TMJ!